24/09/09

Um pé e meio atrás e meio pé à frente

É espantosa a capacidade de a traição nos espreitar a cada esquina…
É um facto. Afinal a traição está em todo o lado. No amor, nas (supostas) amizades, no trabalho e mesmo entre simples colegas.


Por muito que andemos com um pé atrás para não nos magoarmos (tanto), mesmo assim ela apanha-nos. E andar com os dois pés atrás seria impensável, significaria estagnarmos, parar de viver e dar uma clara vitória a todos aqueles que nos querem fazer mal ou simplesmente passam por cima de nós no caminho para a sua (egoísta) felicidade.

Confesso que, às vezes, apetece-me mesmo ficar com os dois pés atrás, parar de interagir com o mundo, esconder-me na minha concha e não ser mais magoada pelos outros. Mas tal atitude não é lógica. No entanto, cada nova cacetada faz-me ficar ainda mais desconfiada, mais retraída.


Posso dizer que, neste momento, caminho com um pé e meio atrás e meio pé à frente.

04/04/09

Não se constroem casas pelo telhado – Parte I

Há alturas na vida em que paramos para pensar e damo-nos conta que toda a nossa vida está do avesso. E frequentemente (nem sempre) não conseguimos lidar com os múltiplos revezes da vida, simplesmente porque insistimos em construir a nossa vida ao contrário, em dar prioridade ao que não devia estar em primeiro, em dispersar a nossa atenção pelo que não é realmente importante, em suma, porque insistimos em construir a nossa casa/vida pelo telhado.

23/03/09

Após a Verdade

Após a verdade, fica sempre um silêncio.
Um silêncio em que a nossa alma grita, mas não se ouve.
Um silêncio repleto de dor.
Uma dor que nos paralisa.
Momentos em que o nosso desejo é ficarmos quietos, parados no nosso silêncio, nesse silêncio em que apenas a alma grita, em que a alma grita de dor.

Porque teimam em nos esconder a verdade?
Porque não há honestidade e frontalidade?
Mil vezes uma verdade que doa, à dor de uma mentira funesta.
Porque quando a verdade da mentira se revela, somos assolados por uma dor tão profunda, que jamais a imediata verdade provocaria.

Vivemos rodeados de hipocrisia.
Falsos sorrisos, falsas mãos que fingem ajudar, e que nos atraiçoam assim que as suas necessidades falam mais alto.
Afinal, quem são os Amigos?
Como os distinguimos no meio da imensidão da hipocrisia?
Como fazemos para nos proteger, quando os que nos rodeiam insistem em nos atacar?

No final…
Atingimos um ponto em que a alma se fecha sobre si mesma.
Fecha-se, na procura um refúgio.
Um refúgio para a imensidão da dor.
Uma dor imensa com uma só causa: a mentira.